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"A última noite em Tremore Beach", sucesso na Espanha, tem tudo para conquistar você

Foto: Ana Bubola 

Desde que peguei gosto pela leitura, tem um tipo de cenário que me desperta interesse. Gosto de livros que se passam em praias isoladas, em lugares não tão badalados. Não sei, mas é como se o mar tivesse uma habilidade natural para contar histórias de crime e mistério. De alguma maneira, o cenário acaba se tornando um personagem da história. E é isso que acontece em A última noite em Tremore Beach – Mikel Santiago, Suma de Letras, 2014.

A capa em si já emana certa incógnita, com uma pequena casa contrastando com a imensidão azul do oceano. Um clima frio que conta a história do músico Peter Harper, que em meio ao divórcio com a mulher e um forte bloqueio criativo decide tirar um tempo para si na simpática Tremore Beach, na Irlanda. Pai de dois filhos, Peter faz amizade com os vizinhos Leo e Marie Kogan, nascendo ali uma relação de confiança. 

Tudo ia muito bem, até o dia em que Peter, ao ir embora da casa de seus vizinhos, é atingido por um raio durante uma tempestade. Ele consegue se recuperar bem, mas de repente começa a ter alucinações misteriosas, sinais que o deixam intrigado à medida que ele vai ligando os pontos. Particularmente, gosto dessa ideia de sonhos e visões sobre o futuro, no qual o personagem fica extremamente perturbado e preocupado por não saber até onde isso seria verdade. Em certo ponto, esses momentos do livro me lembraram um pouco a trilogia de “De volta para o futuro”, que trazia problemas de um futuro distante para serem resolvidos antes que fosse tarde demais. 

A última noite em Tremore Beach é intenso, um grande thriller psicológico acima de tudo. Não há muita ação no sentido de termos embates físicos, situação que fica mais para o final da trama. Em compensação, a carga dramática é muito grande, pois, à medida que as visões ficam mais frequentes, Peter Harper vai ficando mais abalado e histérico, já que todos que ele ama e admira, como seus filhos Jip e Beatrice, Judie (por quem ele se apaixona) e Leo e Marie Kogan, podem estar correndo grande perigo caso ele não tome uma atitude. E o pior para Peter é aquele sentimento de incapacidade e solidão, pois quem acreditaria nessa história de alucinações um tanto quanto irreais? 

A narrativa do livro flui naturalmente e é uma leitura rápida e agradável de fazer. O autor Mikel Santiago foi muito feliz na escolha de criar personagens com vidas muito simples, típicas de quem mora em uma praia. E a meu ver, ele mostrou como é importante pensar em todos os detalhes na construção de um livro. Que impacto teria um personagem ser atingido por um raio caso isso não fosse acompanhado por uma forte tempestade? Talvez, se essa mesma história se passasse em uma grande metrópole como Nova York ou até mesmo Dublin, a capital da Irlanda, ela não teria o mesmo aspecto sombrio que a caracteriza. 

Não é de se estranhar que esse livro se tornou um best-seller na Espanha. Com certeza, leria novamente sem pensar duas vezes. A última noite em Tremore Beach e Peter Harper me ensinaram que não podemos duvidar das pessoas, por mais loucas ou insanas que elas pareçam. Leitura aprovada e bem recomendada. Você ficará um tempo pensando na história contada nessas 266 páginas. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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