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'A vida que enterramos' é uma boa opção para quem gosta de uma leitura rápida

'A vida que enterramos' é uma boa opção para quem gosta de uma leitura rápida

Foto: Ana Bubola 

A vida que enterramos - Allen Eskens, Intrínseca, 2017- talvez seja um dos livros mais diretos que já li. É relativamente curto (são 270 páginas) e a trama flui bem rapidamente. A história, claro, tem contornos de mistério e suspense. Em 1980, Crystal Hagen, de apenas quatorze anos, foi brutalmente assassinada. Seu corpo apresentava indícios de abuso sexual e foi encontrado, já incinerado, na casa de Carl Iverson, que foi prontamente condenado pelo assassinato. 

Três décadas mais tarde, o universitário Joe Talbert precisa fazer um trabalho de redação na faculdade, e o personagem escolhido é ninguém menos do que Carl Iverson, agora isolado em um asilo, devido ao câncer em estágio avançado que o atingiu. Para Joe, é a chance de fazer um trabalho perfeito e de contar a verdade sobre um homem que pode ser inocente crime do qual é acusado. Para Carl, a princípio, tudo não passa de mais uma pessoa interesseira querendo se aproveitar de sua história. 

Os diálogos entre Joe e Carl são muito bem estruturados. Creio que a criação do personagem de Joe Talbert foi muito acertada, pois ele é um jovem, entre muitos outros aspectos, com um lado humanitário gigante, e que acredita que as pessoas podem ter uma segunda chance. Carl Iverson também é uma parte intrigante desse livro, já que inicialmente ele é muito fechado e até grosso em alguns momentos com Joe, mas aos poucos vai se abrindo e contando tudo que o jovem deseja saber. 

Carl tem muitos segredos (negativos ou positivos, não posso contar) que são cruciais para descobrir a verdade quanto à sua inocência no caso de Crystal Hagen. Ele chegou até a participar de uma guerra, e talvez ali esteja a resposta para o assassinato da inocente Crystal. Questões que cabem a Joe cavar fundo e revelar aos leitores. 

O mais interessante é que Joe enxerga em Carl um pouco de si mesmo. Sua família é desestruturada: a mãe, com diversos problemas, nunca conseguiu cuidar direito dos filhos Joe e Jeremy, esse uma criança especial. Assim, as horas no asilo passam a ser um refúgio e uma escapatória para Joe, que consegue esquecer um pouco dos problemas de casa e focar nos estudos e até mesmo na vida de Carl Iverson.

O livro vale a pena pois o autor foi inteligente ao criar o enredo. Histórias que se passam em duas linhas do tempo costumam dar muito certo, ao menos para mim. Gosto muito dessas tramas que envolvem crimes que são solucionados anos e anos depois. Fico sempre ansioso para que o autor volte ao passado (no caso de A vida que enterramos, a 1980) pois é ali que mora o segredo que normalmente é revelado ao final do livro. Foi uma leitura rápida e muito agradável. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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