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'B.B. King, uma vida de blues' traz detalhes íntimos de uma lenda da música

'B.B. King, uma vida de blues' traz detalhes íntimos de uma lenda da música

Foto: Ana Bubola 

Autobiografias são geralmente relatos sinceros e honestos de uma vida toda. Em B.B. King, Uma Vida de Blues – B.B. King, David Ritz, Editora Generale, 2013- é possível conhecer um pouco mais sobre a personalidade de Riley Ben King, um dos músicos mais importantes da história, e que carregava simplesmente o título de Rei do Blues. 

B.B. King nasceu no estado norte-americano do Mississipi, em 16 de setembro de 1925, e faleceu no dia 14 de maio de 2015, aos 89 anos. Em sua autobiografia, ele não nos poupou detalhes e contou muitas histórias. Uma das mais divertidas, talvez, seja a que revela por que sua icônica guitarra Gibson era carinhosamente chamada de Lucille. Na ocasião, B.B King se apresentava em um bar no estado de Arkansas, no inverno de 1949, quando de repente um incêndio atingiu o local. Rapidamente, ele foi para a área externa e tudo parecia resolvido. 

No entanto, o músico lembrou que sua guitarra Gibson L-30 estava dentro do bar, em meio às chamas, mas não pensou duas vezes: voltou para pegá-la. O prédio, que era de madeira, começou a desabar, e B.B. King quase morreu naquela noite. No dia seguinte, ele descobriu que o incêndio havia começado após uma briga entre dois homens que discutiam sobre uma mulher que trabalhava no bar. Quando ficou sabendo que ela se chamava Lucille, o Rei do Blues passou a apelidar todas suas guitarras assim, para nunca mais arriscar sua vida dessa maneira. 

No livro, música é apenas um dos temas abordados. B.B. King conta, por exemplo, sobre os momentos em que quase perdeu a vida em alguns acidentes automobilísticos. Em um deles, ele atropelou uma mula que apareceu de repente na estrada. Sem conseguir frear, o impacto foi inevitável. O acidente o relembrou de todas as mulas com que ele trabalhara nos tempos dos campos de algodão, ainda pequeno. Ao decidir levar o animal ao veterinário, a Mula se levantou e saiu em disparada, para alívio de B.B. King. Sobre os acidentes, eram às vezes fatos rotineiros na vida de músicos que estavam o tempo todo na estrada, mas o Rei do Blues sempre tentava se reerguer e aprender coisas novas com os ocorridos, como ele conta na autobiografia. 

Quem apenas escuta as músicas de B.B. King acredita que ele sempre foi a estrela que foi. Apesar de todo seu talento inquestionável, ele passou por situações bem complicadas, principalmente por ser negro em tempos de forte segregação racial nos Estados Unidos. “Foi uma época que fez o melhor de algumas pessoas aflorarem, mas o pior de outras. Não consigo nem começar a lembrar da quantidade de vezes em que paramos em um restaurante onde os donos ou garçons nos olhavam como se fôssemos algo sujo e se recusavam a nos servir”. Um fato que indigna ainda mais ao pensarmos que ainda acontece nos dias de hoje. 

B.B. King mostrou-se uma pessoa muito verdadeira em sua autobiografia. O astro da música teve 15 filhos, fruto das muitas paixões que ele teve. De certa maneira, B.B. King era, como ele mesmo diz no livro, fascinado pelas mulheres. “Adoro as mulheres, sua pele macia, doces sorrisos e comportamento gentil. Ter uma mulher simplesmente acariciando minha bochecha, afagando meu rosto ou me abraçando forte era um conforto e uma emoção”. Em outro trecho, ele mostra que era um homem com valores muito dignos e importantes.

“Nunca me forçava a qualquer mulher que não estivesse disposta ou ávida para estar comigo. Não queria manipular ninguém. Fico muito triste quando uma mulher diz que eu menti. Basta o som da acusação, mesmo que ela não seja verdade, para fazer com que eu me encolha”, revelou o músico nesta ótima autobiografia. Um livro que mostra o lado humano de B.B. King. Um livro sobre a história da música e do Blues, sobre racismo, relações com as mulheres e, principalmente, sobre toda a luta que ele travou para tornar-se o Rei do Blues. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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