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Bullying: desafio de todos.

Bullying: desafio de todos.

 

  Minha família era nômade. Por causa da profissão do meu pai, a gente tinha sempre que estar num lugar diferente, geralmente, de dois em dois anos. E pra mim isso era horrível. Significava uma escola nova a cada processo de mudança. E se para um adulto, a mudança pode ser impactante, imagine só para uma criança. Nova escola, novos amigos, o desafio de ser aceito. Afinal, é isso que mais desejamos, a aceitação. E quando ela não vem, e pior, vem com a rejeição, se torna algo mais grave. Sofri bullying em boa parte das escolas que frequentei. Quando saí de Breves, em Belém do Pará , para estudar numa escola particular da capital, meu mundo caiu. Eu tinha 11 anos de idade. As meninas, curitibanas, eram mais ricas do que eu e  mais descoladas do que eu (uma caipira que passara dois anos em meio aos índios, canoas e aventuras na Ilha do Marajó). 

Minha experiência não é exclusiva. O bullying é uma triste realidade para muitos estudantes, tanto, que dia 20 de outubro é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Bullying. Uma forma de alerta internacional para o problema que tem levados jovens ao suicídio, a uma vida de tormenta e privação.  

Pesquisas apontam que no Brasil, um em cada dez estudantes sofre bullying. Nos Estados Unidos, um em cada cinco. O fato é que se trata de um problema de todos. Pais (os meus tiveram 4 filhos e por isso não os culpo por não terem prestado atenção aos sinais claros que eu dava por estar sofrendo com isso), amigos, escola. Todos estão envolvidos nessa teia e todos precisam assumir sua responsabilidade para se preparar para o enfrentamento.  Inclusive, o agressor. Tanto quanto a vítima, ele também precisa ser identificado, analisado, curado. 

Superei o bullying sozinha. Cresci, deixei de ser o Elvis Presley (eu era chamada assim. Você pode achar isso o máximo, mas não é o que uma garota de 11, 12 anos quer ser). Mas há milhares de crianças e adolescentes que não conseguem externar seu sofrimento. As consequências tem sido catastróficas. Tanto que o suicídio hoje é caso de saúde pública.  O bullying deveria ser encarado assim também.  Quem me conhece sabe que não gosto de mimimi. Como disse, resolvi isso sozinha. Mas nem todo mundo tem a capacidade de resiliência e força. Muitos  não conseguem pedir ajuda. 

A palavra bullying vem de bully, que em inglês significa valentão, brigão. Mas o verdadeiro valente é aquele que encara seus desafios e seus fantasmas. Sejam eles imaginários ou bem reais, como seus colegas de sala de aula.  

Colunistas - RIC Mais PR
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