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'Busca e Destruição' surpreende positivamente em The Walking Dead

'Busca e Destruição' surpreende positivamente em The Walking Dead

Foto: Ana Bubola 

Depois de Invasão, Lilly Caul colocou na cabeça que era hora de colocar as coisas novamente nos trilhos. E tudo parecia que ia funcionar. Bob Stookey havia encontrado uma malha ferroviária que unia cinco comunidades de sobreviventes, entre elas Woodbury. Todos bem-intencionados e dispostos a se ajudar para derrotar os tempos sombrios do apocalipse zumbi.

 No entanto, o que ela não esperava era o aparecimento de mais um grupo rival no sétimo livro da série literária de The Walking Dead, Busca e Destruição – Jay Bonansinga, Galera Record, 2016. Um belo dia, depois de voltar para Woodbury após uma missão nos arredores, Lilly se depara com um cenário assustador: todas as crianças desapareceram e os demais habitantes foram covardemente assassinados. 

Agora, é uma questão de honra para Lilly, que vai fazer de tudo para trazer as crianças em segurança e punir os sequestradores, um grupo paramilitar altamente treinado e com intenções muito bem definidas, liderado por Theodore Bryce. E o mais irônico é, que por mais cruéis que sejam seus métodos, o objetivo do algoz de Lilly pode até ser considerado nobre. E caso ele tenha sucesso, o mundo pode voltar ao ser o que era. 

Talvez esse seja o livro mais dramático da série até aqui. Muito pelo fato de as crianças serem agora centrais para a história, diferente dos papéis secundários que elas costumavam ter. E o drama fica ainda maior à medida em que a leitura avança, porque existe sempre a expectativa sobre o destino desses pequenos: eles terão uma chance de sobreviver e superar o apocalipse ou irão morrer nas mãos de Theodore Bryce? 

Ao longo da série literária de The Walking Dead, passei a ver Lilly Caul como uma verdadeira heroína, enquanto todos os demais que se colocavam contra ela eu enxergava como os vilões da história. E não foi diferente com Theodore Bryce. Mas é claro que em um apocalipse zumbi a noção de certo e errado meio que se perde, pois são todos vítimas de um evento trágico que mudou as coisas para sempre. 

A percepção de quem são os heróis e os vilões é mérito total do autor Jay Bonansinga. Em Busca e Destruição, tanto Lilly como Bryce fazem coisas horríveis e difíceis de imaginar, então consequentemente o lado bom e o lado mau se misturam na trama.

Porém, o tempo inteiro torci pelo sucesso de Lilly Caul, até pela identificação que criei com ela ao longo de todos os livros. Em tempos de intolerância, preconceito e machismo, é muito legal ver uma mulher como protagonista. Uma mulher que com certeza é parecida com muitas brasileiras (com exceção do apocalipse zumbi é claro) e que deve e precisa servir de exemplo para todas. 

 Busca e Destruição me surpreendeu bastante. Em longas séries, sejam literárias ou cinematográficas, muitas vezes é difícil o autor manter um ótimo nível de trabalho. E Bonansinga consegue se reinventar a cada livro de The Walking Dead, trazendo novos personagens e novos desafios para Lilly Caul. Histórias que de monótonas não têm nada. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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