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Carroça desgovernada

Carroça desgovernada

As rédeas caíram no chão e se arrestam pela estrada.

Desgovernados, os parelheiros não param de correr.

A carroça trepida, salta e não demora a desmontar-se.

Perdidos, os animais não sabem que rumo seguir.

O condutor é louco, mas não aceita esta condição.

Ele não se importa com acidente nem com a dor.

Imbecilizado, o condutor sorri aos passantes.

Ele desconsidera o precipício que há adiante.

Com cara de sonso, o condutor ainda acena.

 

Carroça desgovernada é coisa muito feia.

Tudo treme e armas são disparadas com a trepidação.

Pois imbecis sempre têm armas clandestinas nos sacos.

A consciência se dissipa e a tontura invade os passageiros.

Alazões precisam saber para onde vão durante o percurso.

Gritos não direcionam ninguém. Só atrapalham.

Vai-se a carroça desgovernada. O condutor é bufão.

As rédeas já se partiram e não há meios de parar os animais.

Com as explosões, os cavalos ficam ainda mais assustados.

Não são alados e temem um mergulho no precipício.

 

Covarde, o condutor salta da carroça.

Ele não se importa com seus passageiros nem com os cavalos.

Mas alazões têm decência e sabem tudo de coordenação.

Uma guinada com perícia e muitas mortes são evitadas.

Mas o condutor palhaço não se faz de rodado. Sorri.

Sobe na carroça e pede as rédeas de volta. Quer conduzir.

Juntos, os alazões saltam e coices são desferidos.

O condutor imbecil tenta desviar, mas não consegue.

Em câmera lenta, ele resvala para o precipício.

Os alazões relincham alegres pela ação concluída.

A carroça está sem condutor. Menos mal. Fim do perigo.

 

Jossan Karsten

 

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Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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