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Códigos sem asas

Códigos sem asas

Neste emaranhado de códigos, eu sigo sem rumo algum.

Não decifro nada nem me deixo decifrar. Sou estranho.

Há quem tente me ler nas entrelinhas, mas vim de outro mundo.

Há quem busque explicação para o que sinto. Sem sucesso!

 

Nada sei deste andar meio cambaleante, deste existir torpe.

A sombra cai sobre a cidade, sinto frio. Tudo se mistura. Furta-cor.

Há milhões de códigos regendo minha história, meu gene.

Sou criatura indefinida neste mundo louco e denso.

 

Invento senhas e códigos para não me perder em mim.

Jogo-me do penhasco e aprecio o voo espúrio e gelado.

Nada sei de queda e tento aprender a gorjear na marra.

Para além da montanha há um amor imaginado.

 

Viajo costeando as pirambeiras e sigo sem pressa.

Não há tempo para vertigens, tonturas e afins.

A existência é curta e saber do amanhã é burrice.

Solto as rédeas da imaginação e viajo livremente.

 

Sob minha pele, há códigos microscópicos se multiplicando.

Há quem diga que já me leu em outra vida, mas eu duvido.

Desconheço os apontamentos que fazem sobre mim.

Nesta esfera meio densa, eu me deixo levar pelas tempestades.

 

Tantas histórias se perderam pelos labirintos.

Densos são todos os sentimentos que surgem.

Há uma viga-mestra a separar as realidades.

O tempo me tortura e me arranca gemidos de dor.

 

Desfaço-me das minhas vestes e fico só com minha pele.

Cada poro representa um caractere indefinido, um ponto surreal.

Já desisti de me decifrar e optei pelo voo a esmo, sem reservas.

Ao saltar do penhasco, sinto o vento. Não tenho asas. Nunca terei.

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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