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Coisa minúscula e explosiva

Coisa minúscula e explosiva

“Eu não aguento mais!”, você disse entre gemidos.

“Estou explodindo dentro de ti!”, eu disse com sofreguidão.

E tudo virou detonação naquele instante.

Fusão e desintegração de átomos e células.

Pois sei que a vida é isso, segundos de ápice, de jorro intenso.

Eu entendo que as coisas são únicas, perfeitas na imperfeição.

 

Ao solo de um piano ao longe, eu te senti viva, pulsante.

E você não aguentou mais e me molhou com teu prazer.

O infinito virou coisa minúscula naquele momento.

Eu viajei por outras galáxias e pousei em teu prazer.

Com movimentos de espasmos, você provocou furacão.

Eu me deixei desmontar, pois sempre cri na resiliência.

 

Senti teu sangue furioso, sob a carne, na ponta dos meus dedos.

Toquei tua pele eriçada e ouvi milhões de sinos em saudação.

“Sinto borboletas no estômago”, você disse.

“Eu só me encontro quando te busco”, respondi.

Novamente o infinito tornou-se nada nesta poesia latente.

Virou-se e me chamou: “Quero com força!”, exigiu.

 

Não sei quantas vezes eu mergulhei nas tuas águas doces.

Mas a beleza de tudo isso é o renascimento, a submersão.

Molhado de suor e dos teus fluidos, eu me refaço.

Carrega em todo teu ser o poder de me transfigurar.

“Eu não aguento mais!”, anuncia como numa oração.

“Estou explodindo dentro de ti!”, é minha resposta sempre.

 

Jossan Karsten

Imagem: Jorge Leal Labrin

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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