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'Coração Ferido' é uma excelente pedida para um bom suspense policial

'Coração Ferido' é uma excelente pedida para um bom suspense policial

Foto: Ana Bubola

É hora de dar uma pausa na série literária de The Walking Dead. Como ainda estou finalizando a leitura do último livro (comprado há pouco tempo diretamente dos Estados Unidos), deixei a coluna para a próxima semana.

Agora, vamos falar do livro Coração Ferido - Chelsea Cain, Suma de Letras, 2007-  que é um daqueles que reúne vários personagens interessantes. Quando li a sinopse já fiquei curioso. Como poderia uma serial killer implacável como Gretchen Lowell manter o policial Archie Sheridan como refém durante tantos dias, e de repente se entregar, sem mais nem menos? Questões que eu só poderia ter a resposta quando finalizasse a leitura. 

Gretchen é uma charmosa mulher que vive em Portland, nos Estados Unidos, e cujas vítimas ela faz questão de marcar com um coração na altura do peito. Com Archie Sheridan não foi diferente, a única diferença foi que ela não foi até o fim. Porém, o estrago no antes competente policial já estava feito. Recuperado clinicamente, ele ficou dependente de vários remédios e de uma relação doentia com Gretchen, além de ter se separado da esposa e se afastado dos filhos.

E é quando uma nova onde de assassinatos começa em Portland, que as coisas começam a ficar tensas no livro. Jovens garotas são encontradas mortas em diferentes partes da cidade, e Archie assume a investigação, apesar de muitos dos colegas acharem que ele não está preparado para voltar à ativa. O policial aceita o desafio e ganha a companhia da entusiasmada repórter Susan Ward, que passa a acompanhar de perto todo o trabalho da polícia. 

Archie, Susan e Gretchen são de longe os pontos fortes de Coração Ferido. Gosto quando os escritores criam personagens “humanos”, que possuem muitos dos problemas que uma pessoa comum enfrenta diariamente. E Archie e Susan são esses tipos de pessoas. O policial é um dos melhores em sua profissão, mas é extremamente solitário e vulnerável. Já a jornalista é jovem, desinibida e muito proativa, características que escondem uma mulher insegura e que tem um grande trauma de quando ainda era estudante do ensino médio. 

Por outro lado, Gretchen Lowell é uma serial killer como poucas. Fria, calculista e muito metódica, ela pode, mesmo dentro da prisão, ser a chave para a solução dos novos assassinatos que assombram a vida de Archie. E isso chamou muito a minha atenção, pois em um mundo real a vítima faria questão de manter distância de seu algoz. E não isso que acontece entre Archie Sheridan e Gretchen. Chelsea Cain construiu um relacionamento complexo e muito intenso entre esses dois personagens, algo semelhante ao de dois amantes, o que acabou se configurando um dos grandes atrativos de Coração Ferido. 

À medida que o livro vai avançando, a relação de Archie e Susan também vai afunilando, já que (pequeno spoiler) o novo serial killer em ação conhece a jornalista. Archie a enxerga como uma filha, e é difícil não ter empatia por ele. Uma pessoa que antes era um policial com uma carreira estabilizada, família, e que em um piscar de olhos não tem mais nada. Uma prova de como as coisas na vida são passageiras. 

 E como um bom thriller, o livro surpreende no final com a revelação da identidade do assassino, alguém totalmente inesperado da minha parte. Coração Ferido é capaz de prender o leitor até o fim, graças a trama que é como uma teia de aranha entre os três personagens principais: Archie, Susan e Gretchen. Caso tudo dê errado, as coisas podem ficar muito feias para Susan e principalmente para Archie.

Resumindo: não deixem de ler Coração Ferido, da brilhante Chelsea Cain. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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