[ editar artigo]

Coral invisível

Coral invisível

Hoje é dia de acordar e saudar a vida.

O que se foi agora é nada, esquecimento.

Agora é tempo de respirar, de gritar, de sorrir.

Há um coral invisível nos ares clamando por amor.

Sinto para além do meu corpo a vida pulsante.

Hoje é tempo de amar, de acordar e saudar a vida...

 

Mudo a perspectiva, mas não desconsidero as cores.

Desço pela escada e saio à rua com alegria.

Pois eu sei que sempre é tempo de sentir o vento.

Eu percebo em cada gesto que tudo pode se renovar.

Eu não quero muita coisa, mas não abro mão de viver.

Se for para ser metade, prefiro que seja nada.

 

Nada é difícil quando se está aberto ao dia de sol.

O vento outonal é bálsamo nas feridas da paixão.

Com o coração acelerado, eu caminho pelas ruas.

Vejo que a cidade é outra mesmo sendo a de sempre.

Não há contramão para quem anda a pé.

Pelas lentes dos meus óculos, a luz penetra.

 

Agora estou mais próximo das árvores.

Pássaros voam e desconsideram o barulho da cidade.

Em meu peito, há ânsia por vida, por amor.

A cada passo que dou, sinto-me mais confortável.

Caminhar é fazer poesia com os pés.

Preciso parar um pouco e contemplar.

 

Não há distância que o pensamento não supere.

As horas não morrem. Horas se refazem.

Percebo que me refaço, me rearranjo, me adéquo.

Ao longo da vida, aprendi a caminhar no tempo.

Percorro quilômetros e mais quilômetros e me sinto em paz.

Na primeira lufada de ar, hoje, eu percebi que sou feliz.

 

A sensação de borboletas no estômago é demais.

Uma espécie de cócega toma conta do meu corpo.

E tudo explode num riso alto e aberto.

Minhas células celebram o agora e o agora é amor.

Não me canso de dizer que hoje é dia de acordar.

A cada minuto, é o momento exato de saudar a vida.

 

Aromas, sons e lembranças chegam com força.

Minha percepção do novo se aguça, viajo.

Sei caminhar no tempo. Dou a mão ao desejo.

Eu só quero um interminável solo de guitarra.

Aceito a poesia como messe e espalho palavras.

Versos vêm pelo vento e eu vejo o sol. Sinto amor...

 

Acordei e saudei a vida pela manhã.

Dei bom-dia ao nada, pois é tudo que tenho.

Em paz, caminhei, pedalei, sorri. Leveza pura.

Continuo com o solo de guitarra em minha mente.

Abro o coração ao desconhecido e me atiro.

Nada sei de asas, mas posso aprender sobre voo livre.

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
Jossan Karsten
Jossan Karsten Seguir

Jornalista, publicitário e escritor.

Ler matéria completa
Indicados para você