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Cuide Delas.

Cuide Delas.

Eu olhei no espelho. Nem sempre é fácil,nem sempre a gente consegue parar e olhar. Não sou crítica de cinema, mas vendo Roma, premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro não tem como não ficar com um nó na garganta. Ainda mais quando se é mulher. Como não enxergar em Cleo, empregada da família, que cuida muito mais das pessoas do que da casa, todas as mulheres  abandonadas pelo namorado ao revelar a gravidez? Você pode pensar: é um enredo comum! Sim, é! Por isso o desafio foi muito maior. E o resultado é surpreendente.

Começo a entender a escolha de uma atriz sem experiência para o papel. Extremamente acertado.  E como não se ver na dona da casa? Abandonada pelo marido canalha, que preferiu curtir  a vida na idade do lobo, deixando pra trás os 4 filhos. Dramas vividos em milhares de casas. Comuns a todos nós. Cenas da vida real.  E a vida real não é colorida. O filme é em preto e branco. Outro acerto do diretor, ao nos transportar para os anos 70, de uma forma a enxergar, principalmente,  os personagens. Mas também uma forma de mostrar apenas o que realmente importa. 

 Longe de ser um filme feminista, Roma é  um filme humano pelo qual toda mulher se enxerga.  Pelo qual todo homem deveria ao menos ter a curiosidade de se colocar no papel da outra. A forma pela qual as personagens interagem, se olham, nos mostram como a sororidade acolhe, ajuda e pode estar presente. 

Se filmes dão um recado (acho que não têm muito essa pretensão) o recado que vi em Roma é: Cuide delas. Das meninas,das crianças, das mulheres. Seja gentil, uma hora você encontra alguém que lhe admire por isso e queira permanecer na sua vida. Não confie nos homens (aahahhah Hobbes já dizia isso muito antes do filme).  Vá em frente. Confie no amor. 

 

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