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De sangue e de rosas

De sangue e de rosas

Escorre pela rosa o sangue da mão.

Espinhos do tempo ainda a ferir.

A rosa não ampara toda a dor que resiste.

Tampouco seu perfume amaina a saudade.

 

Pétalas são frágeis e se embebem de sangue.

Os espinhos são duros e perfuram os dedos.

Barreiras se formam contra um ataque invisível.

Mas o sangue escorre e mancha a existência.

 

Há na dor o arrefecimento da ansiedade.

A rosa absorve a expiação de um tempo longo.

Verte o néctar das pétalas polinizadas.

Fecunda é a dor que se sobrepõe às incertezas.

 

A mão fica pegajosa pelo sangue ainda quente.

Batismo intenso que desconsidera a purgação.

A rosa se esvai, mas o sague seco fica.

No chão a absorção do que antes foi vida.

 

O cérebro inventa situações de conforto.

Pelos poros, o respirar da ansiedade.

O sangue persiste, pois faz parte da existência.

Espinhos não murcham e ferem sem compaixão.

 

Jossan Karsten

 

 

Colunistas - RIC Mais PR
Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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