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Distinção

Distinção

Em minha frente, eu vi muito mais do que o deserto.

Cores suaves dançaram ciranda diante dos meus olhos.

Eu parei na beira da estrada, desliguei o motor e contemplei.

Eu vi divindades no silêncio, quebrado apenas pelo vento.

 

A noite caiu, mas o dia deixou rastros rosados no céu.

As energias se manifestaram e meu corpo respondeu com espasmos.

O lago salobro parecia se mesclar com o céu numa palheta múltipla.

Observei o primeiro cintilar das estrelas afoitas pela noite.

 

Era hora de partir, mas o deserto me convidava a ficar.

Ninguém na rodovia. Era só eu e o vento ameno.

A noite veio com tudo e eu entrei no carro. Dei a partida.

Faróis potentes cortaram a estrada ao meu encontro...

 

A cegueira momentânea quase me tirou do sonho. Resisti.

A luz chegou e pairou sobre o carro, sobre mim.

Tornei a estacionar e me vi embevecido diante de tanta beleza.

As cores dançavam e pareciam me convidar para um bailado.

 

Acovardei-me e não tive coragem de descer e ver tudo de muito perto.

A luz se moveu, rodopiou e seguiu pairando sobre a estrada.

Muitos dizem que tudo no deserto pode não ser real.

Eu confesso que vi a luz e senti as energias me invadirem.

 

Alguns quilômetros à frente eu parei num povoado.

Precisava abastecer para seguir a viagem.

Não havia combustível. Eu tinha que esperar.

Eu esperei. À noite, eu sonhei com a luz e sorri.

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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