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Dominante lascívia

Dominante lascívia

Todos dormiam agora.

Ela, não. Inquietude.

Desceu as escadas.

O vento soprou.

A noite estava calma.

As luzes tremiam.

 

Pisou na grama gelada.

Estava descalça.

Sentiu arrepios na pele.

Notou que estava nua.

A lascívia lhe corroía.

O sexo queimava, pulsava.

 

Estava fora de si? Não!

Só não raciocinava direito.

Tocou no portão.

Abriu e caminhou.

Não era sonâmbula.

Por dentro, ardência total.

 

Andou duas quadras.

Os pés doíam demais.

O desejo era chama no peito.

A cabeça girava num corrupio.

Precisava de gozo, de explosão.

A alma reclamava, gritava.

 

Na cama, o marido morria.

Sentia-se péssima, por vezes.

Perdera o controle.

Seu corpo era templo.

A morte chegaria para ela também.

A culpa era lâmina cortante.

 

Não havia outro jeito.

Precisava de saciedade.

Parou para respirar.

Mãos pesadas lhe seguraram.

Nada de violência. Firmeza!

Amou a pegada como antes...

 

Contra o muro, sentiu-se preenchida.

Ele era forte apesar de magro.

Jorrou dentro dela num turbilhão.

Esvaiu-se no prazer líquido e quente.

Absoluto sentir naquelas horas mortas.

Tudo rodou, virou céu. Tocou estrelas.

 

Voltou para casa flutuando.

Entrou sorrateira como gata.

Pensou em dormir.

O marido gemeu.

Hora dos remédios.

A vida dele por um fio...

 

Já sem culpa, cumpriu com o dever.

Estava viva e lúcida.

Em seu corpo, as marcas do amor.

Rememorou tudo mil vezes.

Era como uma rotina perfeita.

O instinto a dominava.

 

Havia um acordo silencioso.

Ele a esperava altas horas.

Estava sempre pronto.

Preenchia seu corpo com força.

Penetrava seu espírito com candura.

Era seu deus do prazer e da vida.

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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