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Educação fake

Educação fake

 

Em visita ao Brasil, a chefe da OEA, Organização dos Estados Americanos, Laura Chinchilla, disse que  as fake news pelo whatsapp nestas eleições são um "fenômeno sem precedentes". A organização está em solo brasileiro para justamente observar o processo eleitoral.  E não há como observar essa avalanche sem fazer um paralelo com a nossa triste realidade educacional.

Digo isso porque não acho certo culpar a tecnologia. Ela é boa, é bem-vinda e necessária. Até censurar um aplicativo gratuito de mensagens foi cogitado por algumas cabeças pouco pensantes da política brasileira como forma de barrar as notícias falsas. E com isso, bloquearia-se toda e qualquer informação. Quer mais censura do que isso?

Censurar não é o caminho, aliás, é resolver um problema criando monstrinhos bem mais perigosos.  A própria chefe da OEA ressaltou que o fenômeno tomou tais proporções por ser uma rede privada com muitas complexidades e portanto, difícil de ser investigada.

O caminho correto é o mais longo. Por décadas não investimos em educação de base. Nossos alunos não foram ensinados a pensar, a questionar o que se lê, apenas a repetir o que se é ensinado. Qualquer semelhança com a dinâmica do whatsapp não é mera coincidência. 

Esta semana, a organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE, divulgou um estudo que mostra o tamanho do problema: Só 2,1% dos alunos carentes do país conseguem atingir o nível de bons conhecimentos em Ciências, Matemática e Leitura. Entre os países mais ricos da OCDE, 25% dos estudantes desfavorecidos tem um bom nível de conhecimentos nessas três áreas.

Em resumo, desigualdade e falta de educação básica. E pra quem acha que falta dinheiro, uma constatação. O Brasil gasta cerca de 6% do PIB com educação, acima da média dos países mais desenvolvidos. Gastamos mal. Não distribuímos renda. Nossa educação sim é fake. Há décadas.  Condenamos gerações à ignorância. O preço do descaso já chegou. 

Colunistas - RIC Mais PR
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