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Eu não curto capitães

Eu não curto capitães

Eu não curto capitães do mato.

Eu prefiro as multidões na areia.

Eu que não vou pagar sozinho o pato.

Não vou embarcar na burrice alheia.

 

Tenho medo de gente de farda.

Não escondo de ninguém este receio.

Do nada surge um guarda.

Sarcástico, acaba com meu passeio.

 

Detesto o uniforme de capitão.

Amo a liberdade rara do povo.

Exércitos não têm consideração.

Esmagam cabeças como ovo.

 

Eu não curto capitães do mato.

Eu prefiro as multidões na areia.

Eu que não vou pagar sozinho o pato.

Não vou embarcar na burrice alheia.

 

Gosto de respirar a liberdade.

Prefiro conversar com vagabundos.

Não sou amigo da alta sociedade.

Vivo a poesia dos submundos.

 

Quando o vento sopra, inalo o amor.

Respiro sem pressa a brisa do mar.

Não consigo sequer imaginar a dor.

Sou da ala dos que gostam de sonhar.

 

Eu não curto capitães do mato.

Eu prefiro as multidões na areia.

Eu que não vou pagar sozinho o pato.

Não vou embarcar na burrice alheia.

 

Todos os capitães são burros.

Chafurdam a lama com seus grunhidos.

Eles não falam, emitem urros.

Vivem o desmando. São bandidos.

 

Por essas e outras que eu tenho medo.

Não ando na rua sem olhar para trás.

Os de farda não guardam segredo.

Perto deles, a candura se desfaz.

 

Eu não curto capitães do mato.

Eu prefiro as multidões na areia.

Eu que não vou pagar sozinho o pato.

Não vou embarcar na burrice alheia.

 

Jossan Karsten

 

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Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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