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Fatia do ontem

Fatia do ontem

Todo homem precisa de uma caverna para ficar.

Há de se reservar um lugar para pernoitar.

A tempestade chega e buscar abrigo é da lei.

Não se pode envergonhar de voltar para a caverna.

O bom homem também protege os seus.

 

Preciso que esta turbulência cesse e que o sol brilhe.

Não suporto mais notícias pesadas. Não quero dor.

Vou ficar nesta caverna por um tempo, espero que curto.

Espero também, que o vento amaine e que vire brisa.

Quero muitos sorrisos quando eu sair daqui...

 

Lodo fétido, fogo intenso, choque de metais.

Avalanche de tristeza num país que agoniza.

Convoco a todos para estancar o sangue.

Não há como suportar tudo de uma só vez.

É preciso dar as mãos. É necessário que haja abraços.

 

Espero que a caverna não desmorone.

Há pedras sólidas a sustentar sonhos.

Nos pilares do mundo, a vontade de resistir.

Viver ainda é a melhor parte desta fatia.

A luz que entra pela fresta deve ser de redenção.

 

Respiro fundo e hiberno nesta caverna.

Sou homem e volto às origens primitivas.

Quero ter a paciência dos meus ancestrais e esperar.

Eu preciso deste tempo. Meu corpo anseia pela paz.

Em todo o mundo, há quem pense no amor e na liberdade.

 

Jossan Karsten

 

 

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Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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