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'Guia politicamente incorreto do futebol' é um verdadeiro golaço

'Guia politicamente incorreto do futebol' é um verdadeiro golaço

Foto: Ana Bubola 

Futebol. Uma das grandes paixões brasileiras e tema muito bem abordado no livro Guia Politicamente Incorreto do Futebol – Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior, Editora LeYa, 2014- obra que traz um panorama do esporte mais popular do mundo, desde os primórdios até os dias atuais. Assim, seja você da nova geração ou da “velha guarda”, com certeza a leitura será agradável.

 São muitas histórias contadas em 413 páginas. Um dos capítulos mais interessantes é sobre a Seleção Brasileira de 1970, ano em que o Brasil conquistou seu terceiro título mundial de futebol, ao vencer a Itália por 4 a 1 na final. E foi nesse momento que fiquei sabendo mais acerca da importância do técnico Zagallo, ao encontrar espaço para “cinco camisas 10” na equipe: Pelé, Rivellino, Jairzinho, Tostão e Gérson. Modelo de jogo, que segundo os autores, era muito parecido com o Barcelona de Lionel Messi dos últimos tempos.

As torcidas organizadas também são um dos temas do livro. E foi muito interessante saber que a maioria dos membros das organizadas possui emprego, tem mais educação que a média do povo brasileiro e vive em ambientes familiares bem estruturados, de acordo com pesquisa da Unicamp, feita há alguns anos. Eu sempre acreditei que a maior parte dessas pessoas fosse excluída da sociedade, mas, por outro lado, já defendi também a tese de que os responsáveis por atos de vandalismo dentro dessas torcidas são uma parcela pequena. Algo que também é dito no livro: segundo uma pesquisa de 2009, apenas 5% a 7% são os famosos “vândalos travestidos de torcedores”.

A leitura em si é um deleite para quem ama futebol e esportes em geral. Os autores foram inteligentes ao encontrar espaço para diferentes assuntos, de diferentes épocas. Escreveram sobre a “Batalha dos Aflitos”, jogo épico no qual o Grêmio, com quatro jogadores expulsos, venceu o Náutico por 1 a 0, garantindo a volta à primeira divisão do futebol brasileiro. Detalhe: a partida foi realizada na casa do Náutico, que contava com o estádio lotado a favor. Estão no livro também páginas bem interessantes a respeito da Seleção Brasileira de 1982 (considerada por muitos a melhor de todos os tempos, mesmo sem levantar a taça) e sobre a Democracia Corintiana, movimento dos anos 80, que era liderado por atletas como Sócrates.

A chave de ouro fica para o final, com os dez mitos sobre o Rei Pelé e sobre Diego Armando Maradona, o único talvez que se pode comparar ao eterno camisa 10 do Brasil e do Santos. Entre alguns desses mitos, destaque para a contagem de gols de Pelé, que de acordo com os cálculos pessoais do craque marcou 1.283 gols na carreira, além do fato de que Maradona teria usado a Guerra das Malvinas como impulso para vencer a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986, ano em que a Argentina conquistou o bicampeonato mundial. Histórias desmistificadas pelo ótimo Guia Politicamente Incorreto do Futebol.

 Se você é um fã de futebol, a leitura é mais do que recomendada.  Se você não é, o livro pode ainda assim ser interessante, já que também trata de assuntos relevantes como a inclusão do negro no futebol brasileiro e esquemas de corrupção que volte e meia rondam esse esporte. Sim, o esporte mais popular e amado do mundo tem também seus podres, muito por culpa de seus dirigentes gananciosos. No entanto, nada é mais forte do que a paixão do brasileiro (e de muitas outras nações também) por esse esporte capaz de mover multidões e fazer um país ou uma cidade parar para assistir a um “simples jogo”.

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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