[ editar artigo]

'Na Natureza Selvagem' é uma grande reflexão para raça humana

'Na Natureza Selvagem' é uma grande reflexão para raça humana

Foto: Ana Bubola 

Você já pensou em largar absolutamente tudo e se aventurar por aí? Passar um tempo na floresta, explorar os fascínios da natureza, abandonar a rotina da universidade ou do trabalho? Posso imaginar uma resposta negativa da maioria das pessoas, mas não foi o que aconteceu com o jovem norte-americano Christopher Johnson McCandless, no início dos anos 90. Sua história até hoje desperta muita curiosidade, já tendo sido tema de filme e também do excelente livro Na Natureza Selvagem – Jon Krakauer – Companhia das Letras – 2018. 

Na realidade, o autor publicou o livro sobre McCandless já em 1996, cerca de quatro anos depois da morte do rapaz, cujo corpo foi encontrado no gelado estado do Alasca, no verão de 1992. E de alguma maneira aquilo mexeu com Jon Krakauer. Como uma pessoa de 24 anos, com graduação em História e Antropologia pela Universidade Emory, na cidade de Atlanta, e que havia passado a infância em um bairro rico de Washington, de repente abrira mão de tudo para morrer de inanição dentro de um ônibus abandonado, tão longe de casa?

As motivações de Chris, ou Alex Supertramp, nome que ele adotou depois de fugir de casa e nunca mais dar notícias aos pais, eram diversas. Ele não se sentia bem com o modelo de vida adotado pela maior parte dos norte-americanos e não via necessidade em ter tantos bens materiais, fato que o levou a doar toda sua poupança para instituições de caridade. Preferiu passar a vida na estrada, perambulando por cidadezinhas, pedindo caronas e conhecendo novos lugares, como o Monte McKinley, no Alasca. E o mais interessante é que Chris tinha objetivos bem traçados e sabia as consequências de suas atitudes. 

Jon Krakauer teve a ótima ideia de refazer o trajeto de McCandless. Entrevistou pessoas com as quais o jovem andarilho teve contato à época, visitou os lugares pelos quais ele passou e tudo isso nos dá uma ideia bem clara da personalidade intrigante de Chris McCandless. Praticamente todos que conheceram o garoto reforçam pontos positivos como um grande coração e um jovem muito agradável e bom de papo. Chris inclusive, durante um bom tempo, trocou cartas com muitas dessas pessoas e fazia questão de receber notícias de vez em quando.

O livro tem como ponto principal a história impressionante de McCandless, mas também conta outras narrativas similares, de jovens exploradores de desertos, outros que resolveram escalar montanhas assustadoras, e uma coisa em comum envolve a maior parte dessas aventuras: os finais trágicos e pessoas que muitas vezes nunca mais foram vistas. Portanto, não são relatos tão raros assim, sendo algo recorrente principalmente nos Estados Unidos.

A Natureza Selvagem é uma leitura capaz de mexer com os nervos de qualquer um, e comigo não foi diferente. Nos traz muitas reflexões sobre como levamos nossas vidas, os valores que cultivamos e o que realmente importa. É possível sentir as aflições de Chris McCandless e entender um pouco por que ele fez tudo aquilo. É triste que ele não tenha sobrevivido para finalizar a história e nos contar tudo em detalhes, ainda mais levando em conta que sua morte foi um tanto quanto boba, considerando todos os perigos que o interior do Alasca oferecia.

Para quem se interessar pelo livro, é importante fazer a leitura sem qualquer tipo de preconceito ou julgamento. Chris nunca mais deu sinal de vida aos pais, mas o autor Jon Krakauer explica em um dos capítulos as razões para tal atitude. McCandless parece ter se arrependido no final, de acordo com as anotações no diário encontrado com seus restos mortais, mas nos resta apenas fantasiar qual teria sido o desenrolar dessa história. A Natureza Selvagem é um livro emocionante, inclusive com um epílogo de arrepiar, quando os pais de Chris visitam o local onde o filho faleceu. Uma história trágica e dramática, mas capaz de nos enviar também boas energias e inspiração para sermos melhores pessoas. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
Guilherme Osinski Seguir

Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

Ler matéria completa
Indicados para você