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Não há alívio

Não há alívio

Quantos sinais eu ainda terei que emitir para que me entenda, para que me leia?

Por quantas vezes mais eu terei que dizer que te amo e que te busco?

Isso tem me corroído a alma e danificado meu corpo. Isso me deixa louco!

Cada vez mais, eu te busco e te encontro incutida em mim. É minha sina!

Por mais quanto tempo eu terei que te enviar sinais de amor e paixão?!

 

Rondo a cidade como um guarda noturno. Tateio pelos muros.

A esmo, perambulo e me aproximo da tua casa. Diminuo a marcha. Sinto-te.

Ensandecido, as imagens chegam e se fixam em minha memória. Psicodelia!

É tanta intensidade nesta busca por ti, pelo amor que se foi ou que nem veio.

Eu já não sei mais quais sinais emitir. Eu já não sei mais. Juro que não sei...

 

A vendedora de doces apregoa seu canto triste no fim da tarde. Precisa de grana.

Não como doce, mas faria uma cesta de guloseimas para você. Faria muito mais.

Mas como? Onde te encontrar na forma física? Existe? Respira?

Em muitos momentos, cheguei a pensar que era só uma invenção.

Queria que fosse uma personagem das tantas que crio. Mas não é.

 

Inalo o cheiro de açúcar queimado da barraca da doceira. Não há alívio.

Caminho rumo à minha casa, mas retorno. Ninguém me espera. Nunca!

Andando, eu te sinto, ouço tua respiração, toco teu corpo, fazemos amor!

Uma buzina estridente tenta me chamar à realidade. Quase sou atropelado.

Enraivecido, o motorista esbraveja, gesticula, mas de nada adianta.

 

Os sinais surgem em minha cabeça e eu os emito de várias formas.

Mas não obtenho respostas tuas. Acho que nunca me vê nem entende de sinais.

Já é noite outra vez e estou sobre a ponte desta cidade gelada e nada amigável.

Vontade de pular no rio e nadar de braçadas para ver se acordo desta loucura.

Olho para o céu. Há estrelas. Há lua. Olho para mim e há você. Só você...

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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