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Negociando com o inimigo: A partilha de bens no processo de divórcio

Negociando com o inimigo: A partilha de bens no processo de divórcio

O divórcio não é o problema, mas a consequência da insuportabilidade da vida a dois.

Os problemas conjugais que levam à separação são variados, os mais comuns são traição, dificuldade financeira, problema na comunicação, falta de respeito e até violência doméstica, em alguns casos.

Por esses e outros motivos não é incomum que os ex-cônjuges assumam postura de inimigos um do outro, dificultando ainda mais o processo de divórcio judicial, especialmente na fase de negociação quanto à partilha dos bens comuns.

É certo que no processo judicial é dispensável o consenso entre as partes, pouco importando se estão em harmonia ou mesmo concordes em relação que caberá a cada um na partilha de bens.

A matéria pode ser litigiosa, para isso que existe a figura do Magistrado, justamente para decidir, pôr um fim ao litígio, e sempre de acordo com a lei e não conforme o interesse de uma parte ou outra.

Não obstante, a experiência e a prática de anos a fio em audiências dos mais variados Fóruns de Família trazem um sábio ensinamento sobre a disputa judicial.

No litígio não existem vencedores, todos perdem!

E, por essa razão, é que a primeira audiência de um processo de divórcio é crucial para a busca de um resultado mais favorável ao processo.

Se, historicamente, disputas e rixas no processo não trazem bons retornos, negociar com o adversário é a decisão mais astuta e perspicaz a ser tomada.

O problema é que como visto antes, muitas vezes as partes se consideram inimigos, rivais, oponentes, e trazem esse espírito contencioso para a mesa de negociações.

A sacada genial nesse momento é buscar ferramentas para neutralizar o impulso emocional, abrir espaço para o instinto racional assumir o controle naquele momento e incorporar a mentalidade vencedora da boa negociação.

Como a regra de ouro em uma negociação, vencedor, sempre, será aquele que conseguir precipuamente aquilo que lhe é mais importante, sacrificando o que seja menos significativo.

Portanto, estabeleça entre os objetos de discussão aqueles que lhe são mais caros, que precisam ser resguardados e protegidos. Por sua vez, enumere aqueles que podem ser sacrificados em favor do bem maior.

Mergulhe de cabeça na negociação, aja de forma ordeira e respeitosa, mas com firmeza e segurança. Demonstre disponibilidade ao diálogo, lance na mesa sua visão sobre uma possível solução, mas sem dar todas as informações de uma só vez, deixe uma margem de negociação. Esteja disponível para alguns sacrifícios.

E, por fim, tenha sempre um plano B e, talvez, até um plano C.

Com essa estratégia bem traçada e uma boa dose de disciplina durante a negociação, serão enormes as chances de conseguir um resultado favorável, obtendo a solução da forma mais rápida e inteligente possível.

Parabéns, assim irá ganhar! Tem-se, finalmente, um vencedor!

 

Sobre o Autor

Rodrigo Camargo é advogado, devidamente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Paraná. Bacharel em direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC-PR. Pós-graduado em Planejamento e Gestão de Negócios pela FAE Centro Universitário. Pós-graduado em Direito Processual Civil Contemporâneo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC-PR. É sócio do escritório de advocacia Camargo & Radziminski advogados associados.

 

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Nosso e-mail: contato@cradvogados.com

 

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Rodrigo Camargo é advogado e colunista, pós-graduado em Direito Processual Civil Contemporâneo e Planejamento e Gestão de Negócios. É sócio do escritório de advocacia Camargo & Radziminski Advogados Associados.

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