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Nesga de claridade no inverno da tua ausência

Nesga de claridade no inverno da tua ausência

Hoje eu me deitei na rede da varanda.

Eu desconsiderei o inverno que se prolonga.

Hoje eu simplesmente me tornei primavera.

Eu quis que tudo fluísse como antes.

Eu pensei em ti, em mim, eu nós.

Eu viajei em mil elucubrações e medos.

Eu te vi nos céus, planando. Sim, tem asas.

Senti na pele o calor da tua alma que é única.

 

O vento soprou forte, mas eu o percebi como brisa.

E tudo voltou e tudo ficou em meu ser.

Desfiz-me dos medos e me permiti sonhar contigo.

Eu fiquei na varanda por longo tempo.

Sonhei com a primavera, com os verões e com teus beijos.

Mas mesmo assim o inverno da tua ausência persiste.

Há uma balada no ar. Eu ouço o vento dizer coisas.

Mas não está aqui. Não há pássaros por aqui agora...

 

Deixo a casa e caminho pelas ruelas desta vila deserta.

Para os outros, ainda não é verão. Mas eu vivo o calor.

Eu piso firme nas pedras destes caminhos e vou ao mar.

As ondas quebram bem nos meus pés. Sinto cheiro de sal.

E eu viajo para além do farol solitário no meio do nada.

E o vento sopra com força. A vida é só um sopro.

E a saudade que não passa! E o inverno que persiste! Deus?!

Mas eu sinto o verão chegando. Minha alma se aquece.

 

A volta para casa é meio dolorida, mas eu insisto.

Ando devagar e aprecio as ondas que batem forte.

Quero um banho quente e um café. Quero o amor.

Em minha boca, o gosto de sal diz muito da minha vida.

Uma lua tímida desponta. Eu me alegro e sorrio.

A vida é uma balada. O amor é uma balada.

Eu te percebo bem do meu lado. Eu te sinto.

Entro. Evito acender a luz. Quero nesga de claridade.

 

Há um perfume nesta atmosfera. Eu sinto vida aqui.

Minha pele está arrepiada. O calor é intenso agora.

Meu amor pela vida se torna incontrolável.

A lua dribla a cortina e deixa tudo âmbar.

Penso ter ouvido barulho no chuveiro. Será?

Meu corpo se aquece. O verão me invade. Sorrio.

E tudo é estímulo nesta alma que clama pela vida.

Pisando manso, caminho até a porta. Devo abrir?

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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