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Número um

Número um

Girou o tempo. Parou no número um.

Seria época de celebração. Mas como?

Dia do Trabalho com desemprego e medo?!

Fim das esperanças. Dor lancinante da fome.

 

Comemorar o quê neste dia que seria de festa?

Lamentações se propagam num grunhir de dor.

Nas gargantas humanas, gritos se prendem.

Não há felicidade nos olhos dos transeuntes fracos.

 

Jovens estão perdidos. Velhos estão morrendo.

O desgoverno impera em absoluto. O país agoniza.

Irmãos matam para não morrer. Morrem os pobres de inanição.

Em nome da proteção, prisões domiciliares são erguidas.

 

Não há o que festejar neste dia que seria de alegria.

Há muita dor e sangue pelas ruas do mundo.

Neste país, há lamentações e medo. Reverberar de agonia.

Maio chegando. A vida passando. Gente sofrendo...

 

Não há poemas bonitos quando se fala de vida dura.

Estatísticas não matam a fome só iludem.

Grandes safras não chegam à mesa da maioria.

Comer é necessário. Pensar é vital. Matam pensadores.

 

Poucos compram tudo. Muitos nada têm.

Caem prédios. Sonhos são soterrados. Índios são expulsos.

Pessoas precisam de casas e de respeito.

Subemprego não é trabalho nem nunca será...

 

Tudo cessa menos a dor e a ansiedade.

Portas são cerradas. Falências, dívidas.

Bancos engolem almas. Governos devoram pessoas.

Pelos poros da ignorância, exsuda o suor da imbecilidade.

 

Comemorar o quê? Lamentar para quem?

Estamos à deriva. As ondas se aproximam.

Primeiro dia de maio. Tempos difíceis. Há medo e dor.

Quem dera se tudo isso significasse primeiro de abril...

 

Jossan Karsten

 

Colunistas - RIC Mais PR
Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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