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'O Demônio na Cidade Branca' vai te assombrar também

'O Demônio na Cidade Branca' vai te assombrar também

 

Foto: Ana Bubola 

Se você gosta de histórias verídicas, O Demônio na Cidade Branca – Erik Larson, Editoria Intrínseca, 2016 – é o livro da vez. Situado na efervescente Chicago de 1893, pleno século XIX, a obra conta os bastidores por trás da Exposição Colombiana Mundial, feira organizada para celebrar os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo à América. 

Evento de proporções gigantescas, a Exposição era uma maneira de recuperar o orgulho norte-americano, ferido após a Feira de Paris, em 1889, cujo grande legado para o mundo foi a construção da Torre Eiffel. Daniel Burnham, renomado arquiteto da época, foi o grande encarregado de dar vida à Exposição de Chicago. No entanto, ao mesmo tempo, H.H Holmes aproveitou a oportunidade para colocar em prática seus planos diabólicos, que o deixaram conhecido como o primeiro grande serial killer da história americana. 

Apesar dos feitos de Holmes serem tristes e lamentáveis, não há como não apreciar a narrativa do autor. São tantos detalhes, que parece que Erik Larson esteve em Chicago, em 1893. Com um trabalho de pesquisa impecável, o escritor norte-americano recria com perfeição os passos de Holmes, indivíduo responsável pelas mortes de incontáveis mulheres, grande parte solteiras, que chegavam à cidade para conhecer a Exposição Colombiana. 

Larson descreve com clareza a maneira como Holmes atraia essas jovens mulheres, parecendo sempre um homem encantador, mas que guardava grandes segredos. É muito interessante ver também como o autor conseguiu, com pesquisa em jornais e documentos da época, trazer às páginas o esconderijo da morte onde Holmes, equipado com mesas de dissecação, câmaras de gás e fornos crematórios, dava números finais às suas vítimas. 

Para mim, o livro reafirma como não podemos confiar mesmo nas aparências, ainda mais de alguém que não conhecemos ou que acabamos de conhecer. O mais incrível disso tudo é que, embora conte uma história antiga, que aconteceu há exatos 126 anos, fatos como os realizados por Holmes continuam atuais na sociedade de hoje. Não necessariamente perpetrados por serial killers e nem exatamente com os métodos cruéis que Holmes utilizava, mas diariamente vemos casos de crianças e mulheres que são mortos por familiares, pessoas de quem menos se esperam atitudes como essas. 

O Demônio na Cidade Branca é um grande livro. À medida que a leitura avança, pode parecer que estamos diante de uma obra ficcional, tamanha crueldade que as páginas mostram. Porém, se você, caro leitor, decidir ler esse livro, tenha em mente que essa é uma história 100 % fiel aos acontecimentos, bem longe de uma obra de ficção. Ao fim, temos quase 30 páginas de bibliografia utilizada pelo autor, o que só engrandece o trabalho de Erik Larson e faz com que esse livro mereça o devido reconhecimento. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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