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O tempo dos obsoletos terminou

O tempo dos obsoletos terminou

Entrevista exclusiva de Alex Kunrath

Por: Mariana Muller

 

Alex, você é referência em processos de inovação e reestruturação de Marketing e Vendas no Brasil. Como estão nossas empresas?

O Brasil passa por um processo complicado em relação à inovação empresarial. Muitos gestores apontam a crise econômica como fator principal de problemas no país, mas isso é uma meia-verdade.

Imagine corais em uma maré alta. Eles não aparecem. Assim como os problemas de gestão. Quando tudo vai bem economicamente, gestores ineficientes surfam nas benesses do mercado. Agora, em uma crise, vemos um processo de maré baixa. Os corais aparecem.

E os corais são os problemas estratégicos recorrentes da ampla maioria das empresas brasileiras, que não inovam, que não se atualizam. Vemos no Brasil os Estados Unidos dos anos 80.

Então a crise poderia não estar tendo tanto impacto nas empresas e no emprego?

Crises sempre servem como marcos para manter as empresas mais competitivas no mercado e fechar as menos competitivas. Crises são oportunidades para os mais competitivos, pois a má gestão acaba por encerrar as atividades de boa parcela dos concorrentes.

Já a questão do emprego, vejo muito ligada à fatores culturais brasileiros. Raros são aqueles que buscam conhecimentos constantemente, que sejam disciplinados em busca da sua própria competitividade. O mercado é uma disputa entre organizações. O mercado de trabalho uma disputa entre indivíduos.

Mais uma vez, os mais disciplinados e preparados não sofreram um impacto com a crise, tornaram-se sim mais importantes e estratégicos para as organizações.

Um segundo caminho é o empreendedorismo. Esse é o futuro, mas exige ainda mais disciplina e estudos.

Por que empreender é o futuro?

Porque estamos entrando em uma nova fase do trabalho. Nossa economia é baseada em serviços e agricultura, com uma parcela cada vez menor de indústrias no país. E todos esses meios estão se modernizando. A tecnologia é um processo irremediável.

Agricultura e Indústria cada vez mais dependentes de automatização, inteligência artificial e robótica. São ambientes que serão dominados por especialistas, não por pessoas meramente operacionais.

Relações trabalhistas em franca modernização. A legislação está sendo flexibilizada. As terceirizações são uma realidade. Cabe ao trabalhador pensar em ser um empresário, que terceiriza seus serviços, ou trabalhar para uma empresa, uma terceirizada ou uma terceirizada de uma terceirizada.

Empreender é assumir riscos. O retorno desse risco é muito superior ao salário que se paga e que se pagará por funções operacionais em breve.

Pode falar mais a respeito dessa mudança?

Em 1967 Walter Cronkite, um repórter americano, fez uma série especial sobre o futuro. E falou sobre o escritório do futuro, algo que remodelaria todas as estruturas do trabalho organizacional. As pessoas, caso tivessem acesso às tecnologias que ele apresentava, não trabalhariam mais em escritórios, pois não necessitariam se deslocar até eles.

A tecnologia apresentada como a base para o home office do século 21 era a capacidade de receber dados e informações via internet e as videoconferências.

Temos banda larga de internet no Brasil desde 2000, quando chegamos a 1MB de velocidade. Hoje temos planos dezenas ou centenas de vezes maiores de velocidade e mesmo assim a ampla maioria da população enfrenta o caos do transporte público todos os dias nas grandes metrópoles. Essa deveria ser a realidade apenas dos trabalhadores braçais.

Ao menos na visão de 1967. Visão de mais de 50 anos.

Estamos defasados. E as novas gerações sentem exponencialmente essa realidade.

Como isso impacta nas novas gerações?

Os jovens nascidos a partir dos anos 2000 já não se adaptam aos modelos hierarquizados e estruturados em escritórios. São criativos, dinâmicos. Precisam criar. Precisam trabalhar em um mundo físico e virtual interligados.

Os modelos convencionais de estrutura empresarial estão no limite.

Antigamente as pessoas passavam a vida inteira trabalhando para uma, duas ou até três empresas. O jovem hoje passa meses em uma empresa antes de ficar insatisfeito e tentar mudar de emprego.

Qual sua visão de uma empresa moderna?

Uma empresa moderna dispõe de um ambiente que proporcione inovação. As pessoas devem ser livres para criar, para moldar estratégias. Para aprender e crescer com a organização.

Startups são muito dinâmicas. Jovens com alta dedicação e disciplina em ambientes criativos. As empresas tradicionais são estruturas de comando e submissão. Existe a preocupação com status, com posições de comando. Nunca com desenvolvimento constante de inovação.

Para inovar é preciso liberdade, autodisciplina e conhecimento. E o que vemos são os velhos jargões da gestão: dirigir e controlar.

O Brasil adora a figura do líder.

Mas o verdadeiro líder é aquele que proporciona às pessoas desenvolvimento pleno de suas capacidades e micro estratégias próprias, de maneira que o gestor crie macro estratégias e veja o futuro da empresa, sua renovação no mercado.

Mas aqui acreditamos que o líder é um “chefe bonzinho”.

Precisamos ser competitivos. Os colaboradores das empresas precisam ser competitivos em relação a eles mesmos, criando, aprendendo, se desenvolvendo. As empresas devem ser competitivas ao ponto de verem crises como oportunidades de crescimento.

Perceba: Estamos entrando na era da Inteligência Artificial Cognitiva, o computador que aprende. As impressoras 3D estão se popularizando, produzindo desde objetos, casas, pontes, até comida. Com a cocriação, pessoas do mundo inteiro interagem e criam soluções.

Até 2029 sofreremos mudanças radicais em nossa sistemática empresarial e no mercado de trabalho.

Uma empresa moderna deve estar antevendo esse cenário e já se preparando para ser pioneira e inovadora no novo mercado.

Não percebo essa discussão no meio acadêmico. Ou ela existe?

As Universidades e Faculdades brasileiras não estão preparando os alunos para o novo mercado. Nem mesmo os cursos de especialização.

Estamos congelados no tempo. Gestores obsoletos, professores obsoletos, colaboradores obsoletos.

Raros são aqueles que estudam temáticas avançadas e que criam efetivamente inovação.

Soube que você montou um curso online. Sobre o que trata?

Justamente sobre inovação.

O novo mercado, os novos clientes, os novos colaboradores. Ambientes de trabalho e desenvolvimento estratégico pleno. Vendas e gestão comercial aplicada complementam esse curso de maneira única no Brasil, já que no ambiente acadêmico são raros os conhecimentos específicos sobre a área.

Como criar inovação sem conhecer mercado, pessoas, vendas e gestão comercial?

Um aluno de mestrado me procurou para conversar sobre indicadores chave de performance comercial. E me contou que quase não foi aprovado no processo seletivo na Universidade Federal a que pertence hoje, uma das cinco mais bem avaliadas do Brasil.

Por que? Porque sua temática de estudos era vendas. E vendas não tem a ver com Marketing segundo os professores que participaram da seleção.

Felizmente um professor interviu e posicionou que vendas devem sim ser estudadas no Mestrado em Marketing da Universidade.

É inacreditável ouvir algo assim. Isso apenas demonstra a mentalidade acadêmica sobre o tema.

Por isso mesmo busquei elaborar o curso com base em materiais internacionais de altíssimo nível, assim como aliar a prática de mais de 10 anos de consultoria na área à teoria.

Felizmente, chegamos em um resultado excelente. Para formar empreendedores organizacionais de excelência.

Agradecemos muito pela entrevista e deixamos a seguir o link para você, leitor, conhecer o curso do Consultor e Palestrante Alex Kunrath:

LINK: ESTRATÉGIAS COMERCIAIS AVANÇADAS 

 

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Administrador formado pela UFRGS, possui MBA em Gestão Comercial e Pós-MBA em Gestão Avançada de Projetos, ambos pela FGV. O consultor é uma referência nacional em processos de Inovação e Reestruturação Empresariais.

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