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Pelas ruas das ruínas

Pelas ruas das ruínas

Muito tempo depois, ele revisitou as ruínas.

Sentiu na pele o calor escaldante dos restos de concreto.

Caminhou pelas ruas e sentiu na alma o ar de abandono.

Pelos escombros, seus pés caminharam meio que amortecidos.

 

Era outro tempo, é bem verdade.

Um período que remetia à dor e ao medo.

Mas e agora, como estavam as coisas?

Será que haveria mudanças depois das ruínas?...

 

Governos, desgovernos, gritos, protestos e o nada.

Apenas os escombros ficaram de todo o barulho.

Pessoas se foram. Natureza destruída. Vazio existencial.

Ele pisou de novo nas ruínas do seu tempo.

 

No lugar da velha caixa d’água da vila, agora só cacos.

Uma vegetação daninha encobre tudo sem piedade.

Alguns roedores perambulam pelos escombros.

Nada mais há para se aproveitar neste lugar de ruínas.

 

Foi difícil refazer a viagem. Passado e futuro se chocaram.

Sem muito propósito, deixou-se ir a esmo, como se levado.

Nenhum ser humano por ali. Gritou e o grito ecoou em sua consciência.

Ruínas reverberam som. O sol quase não vence a névoa poeirenta.

 

Sem clima definido, a vida tornou-se aventura perigosa nas ruínas.

Sentiu certo arrependimento de ter feito aquela viagem.

Mas nada mais importava, já estava ali e ficaria mais um pouco.

O calor virou frio repentinamente. O corpo todo doeu, reclamou.

 

A noite chegou e ele ainda pelas ruas das ruínas.

Respirar aquele ar pesado, denso e estranho era difícil.

Tentou por muitas vezes mergulhar na viagem de volta.

Não dependia de sua vontade. Era preciso esperar...

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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