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Pintura da vida

Pintura da vida

Ando enojado de tanta notícia ruim, de tanta falcatrua.

Todos querem se dar bem a qualquer preço. Há corrupção em tudo.

Não quero ver televisão nem ouvir programas policiais.

Estou envergonhado desta política que sempre foi imbecil.

Preciso dar um tempo para minhas ideias e nervos.

Ninguém assimila tudo o que jogam no ar, no espaço.

A tragédia se torna mais pesada com a massificação da notícia.

Eu quero me distanciar de tudo isso e ouvir outros sons.

Ontem, ao entardecer, me encantei com uma cena de amor.

A mamãe pássaro alimentava seu filho. Emoção pura e real.

Quando vejo esse tipo de coisa, sinto vontade de não ser humano.

Eu andei mais leve depois de ver aquela verdadeira pintura da vida.

 

Eu não sei o que se passa na cabeça de quem humilha os outros.

A violência gratuita virou rotina em todos os lugares e meios.

Inventam histórias de desgraça para entristecer as pessoas.

Eu não preciso disso para me manter vivo. Quero distância.

De longe, percebo o quão grande é a mediocridade, a falsidade.

Pessoas, muitas vezes da mesma família, se digladiam por poder.

Do nada, todos são especialistas em tudo. Há batalhas de sangue.

As guerras não cessam, mas são travadas no silêncio, nas telas e teclas.

Cada um diz o que quer, sem medir consequências. Ofender é da lei.

Esquecem que as palavras ferem mais que faca e matam como bombas.

Inconsequentes caminham a esmo, trituram pessoas, animais, vidas.

Eu não vejo presente nem futuro em ações desse tipo. Há medo, amargura.

 

Decidi me afastar, me isolar deste mundo esquisito e duro. Quero paz.

Gosto mesmo de ver a mamãe pássaro alimentando seu filho.

Prefiro mergulhar na leitura de um longo poema e ver telejornal.

Sinto que vivo em outro tempo, numa esfera diferente, mas leve, plena.

Não basta uma cena ruim por si só. Querem e conseguem deixar pior.

Eu gosto de pinturas lúdicas, de cores alegres, de risos infantis.

Meio abobalhado, eu viajo nas asas dos pássaros e planto inocência.

Sinto-me leve quando a noite cai e um gato rola pelo chão da sala.

O vento de um verão se findando assobia. Há poesia no som.

Eu não quero notícias ruins. Anseio por um sono de paz.

Respiro fundo, penso nas flores que conheci e continuo. Eu ando.

A vida é mais do que ilusões esquisitas e mentira. A vida é presente leve...

 

Jossan Karsten

 

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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