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Quase um canto

Quase um canto

Arde e brilha o fogo.

Crepita a lareira.

Espero teu jogo.

Não marco bobeira.

Não sou demagogo.

Vejo a cachoeira.

Vem logo e me banha.

Sem tempo para manha.

 

Eu bebo do amor.

Engulo tua essência.

Sugo teu sabor.

Dá-me eloquência.

Sinto teu calor.

Grito por clemência.

É mina expiação.

Em ti, sublimação.

 

Há canto no espaço.

Eu grito teu nome.

Viajo sem cansaço.

Desconsidero a fome.

Tomo-te pelo braço.

O desejo me consome.

Ponho-te contra a parede.

Em ti, mato minha sede.

 

Sou feito de latência.

Desconsidero a loucura.

Espero-te com paciência.

Primo pela candura.

Mas não quero inocência.

É minha fruta madura.

E te devoro sem rodeio.

Lambuza-me sem receio.

 

Saciedade e madorra.

O sono é o paraíso.

O universo é uma gangorra.

Não tenho medo do abismo.

Quero que ande, não corra.

Goze comigo, em sincronismo.

Então, é assim que te quero.

É minha prece, te venero.

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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