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Rarefeito

Rarefeito

Bilhetes com poemas foram rasgados.

Cartas de amor viraram fumaça.

Sentimentos já estão esmagados.

Pouco importa o que se diga ou se faça.

Pois na vida há sempre vários lados.

Em certos instantes, tudo embaça.

O tempo varreu para longe as cinzas da vida.

Mas o vento não amaina a dor da ferida.

 

Há em minhas noites muitas horas amargas.

Tudo se acirra quando se aproxima o inverno.

Meu silêncio é tanto e a tristeza se alarga.

Tormentos me obrigam a tocar o inferno.

Não posso gritar, pois minha voz embarga.

Em meio à escuridão, estou do lado interno.

Nos olhos, a ardência das cinzas das cartas.

A dor é tão aguda que temo que me parta.

 

Isso não é um canto, tampouco um fado.

Considero este grito um alarme da loucura.

Sair à rua é cruel, dolorido, me causa enfado.

Sinto na alma a crueza da intensa amargura.

Corro como um louco, mas me vejo empacado.

Já não sonho mais com um beijo de candura.

Não sei falar de dor usando do canto.

Sobre mim, há um negro e pesado manto.

 

Eu odeio esses dias em que me sinto hibernado.

Como um velho urso, me deixou ficar nesta toca.

Carros passam, ouço gritos e permaneço parado.

Respiro lentamente, mas a luz não me foca.

Preciso correr e rever o gramado.

A vida se esvai e a atmosfera me sufoca.

Tenho vivido num ambiente rarefeito.

Queria sorrir sem sentir dor no peito.

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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