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Referência num território demarcado

Referência num território demarcado

O obelisco demarca a cidade. Fatias?

Referência imponente na luz difusa da noite.

Olhares se perdem, corpos se afastam.

Mas coisas invisíveis permanecem conectadas.

 

A água reflete realidades inventadas.

Imagens espelhadas dançam causando vertigem.

Pequenas ondas distorcem as faces.

O poeta se vai. Nos pés, o frio, na alma, o desapego.

 

Olha para frente o poeta. Pouco sabe de tudo.

A vida lhe empurra pelos labirintos estranhos.

Desconsidera muita coisa ao redor. Compacta-se.

Acredita que sempre é tempo de amor. Amor?

 

Ler a cidade é coisa de poeta mesmo.

Ele entende o significado de cada esquina.

Para além do concreto, o poeta vê e absorve.

Levanta a cabeça, desconsidera a dor e se vai.

 

Não há um norte em sua caminhada.

Deixa o cérebro voar e desconsidera a fome.

Os pés gelados e molhados amortecem a ira.

Fixa seus olhos no obelisco. Referência da cidade.

 

É apenas um ninguém e sabe disso.

Não liga para esse fato. Coisa sem importância.

Das casas aquecidas chegam sons diversos.

Em meio à cacofonia, a poesia se sobressai. Grita!

 

Vai o poeta tendo o obelisco como referência.

Um vento gelado lhe surra o corpo há muito dolorido.

Sua febre se choca com o clima da cidade.

Para lá do rio, parece haver outro mundo. Há?

 

Ele quer um lugar quente e não demarcado.

Precisa se refazer para novamente virar pedaços.

Para. Olha para cima. O obelisco é imponente.

Se soubesse rezar, proferiria uma prece. Cala-se!

 

Jossan Karsten

 

Colunistas - RIC Mais PR
Jossan Karsten
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Jornalista, publicitário e escritor.

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