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'Retorno para Woodbury' é o fechamento ideal para The Walking Dead

'Retorno para Woodbury' é o fechamento ideal para The Walking Dead

Tudo que é bom um dia chega ao fim. E foi essa a sensação que Retorno para Woodbury - Jay Bonansinga, Galera Record, 2018- o oitavo livro da série literária de The Walking Dead, me trouxe. Talvez o capítulo mais emotivo da saga, a história tem uma premissa muito interessante e pode ser que Jay Bonansinga teve realmente a intenção de colocar um ponto final na trajetória de Lilly Caul, apesar de ter declarado anteriormente que prolongar The Walking Dead não era uma ideia totalmente descartada. 

Retorno para Woodbury é a sequência de Busca e Destruição, que termina com Lilly e seu grupo, incluindo as crianças, encontrando uma antiga loja de móveis, o lugar perfeito para se manter em segurança em tempos de apocalipse zumbi. Em uma situação racional, a líder do grupo decidiria criar raízes no local e tentar uma nova vida, mas racionalidade é algo que não necessariamente acompanha esses sobreviventes. Assim, Lilly Caul, motivada por um desejo pulsante dentro de si, parte rumo à Woodbury, como o próprio título do livro anuncia. 

A atitude gera divergências entre o grupo, mas tem uma pessoa que fica ao lado de Lilly não importa o que aconteça: Tommy Dupree, um menino de apenas 15 anos e que precisou crescer muito antes do tempo, aprendendo a ser corajoso, responsável e habilidoso com armas de fogo e facas, enquanto tenta proteger os irmãos mais novos, Bethany e Lucas. Para Lilly, retornar à Woodbury tem uma simples explicação, já que ela considera essa pequena cidade como sua casa e um símbolo de dias melhores e normalidade em meio ao inferno que se instalou na terra. 

Como foram sete livros admirando essa personagem (Lilly está presente desde O Caminho para Woodbury, o segundo livro), compreendi perfeitamente sua decisão em voltar ao lugar onde ela se sente confortável. Não importa se foi em Woodbury ou redondezas que ela viveu muitas memórias dolorosas, como os horrores do regime autoritário e insano de Philip Blake (o Governador), o plano diabólico do Reverendo Jeremiah Garlitz e as mortes de quem ela mais amava. Nada disso importa, pois agora ela tem a chance de salvar seu grupo de uma vez por todas dos zumbis e dos demais perigos do apocalipse. 

O livro também traz um novo antagonista a Lilly Caul: Spencer-Lee Dryden, jogador de futebol americano nos tempos de universidade e posteriormente político, antes do mundo virar de cabeça para baixo. Retorno para Woodbury evidencia o talento de Jay Bonansinga para contar histórias, pois em uma série de oito livros é difícil não ser repetitivo, e o autor norte-americano dribla tudo isso com muita maestria, criando vilões com diferentes motivações e objetivos, muito mais complexos do que apenas pessoas más que querem matar uns aos outros. 

E não tem como falar desse livro sem mencionar o garoto Tommy Dupree, que assume, ao lado de Lilly, um papel de protagonista. Como conheci The Walking Dead pela televisão, não foi difícil encontrar semelhanças entre o jovem Carl Grimes, um dos personagens mais importantes da TV, e Tommy. Ambos eram pequenos meninos quando os primeiros zumbis começaram a surgir, passando por um processo de amadurecimento veloz, porém necessário. Com somente 15 anos, Tommy viu em Lilly a figura materna que lhe faltava, e foi muito interessante ver essa relação entre os dois aflorar durante o livro. 

Quanto ao final de Retorno para Woodbury, se você não é como o Homem de Lata, de O Mágico de Oz, e tem um bom coração, é difícil não se emocionar. Acredito que o legal de grandes séries literárias é essa conexão que podemos criar com os personagens, já que são muitos momentos compartilhados com eles. São vitórias e derrotas, alegrias e tristezas. Mas se tem algo que os livros de The Walking Dead de Jay Bonansinga me relembraram é que nada é mais importante na vida do que estar junto daqueles que amamos e se agarrar a eles com todas nossas forças. 

Não sei se Bonansinga pretende publicar outros livros de The Walking Dead. O que sei é que seu trabalho durante esses oito volumes foi magistral, principalmente pela maneira como ele conseguiu reinventar os personagens ao longo da série, criar novos vilões e também aliados de Lilly Caul, além de conseguir tirar o foco apenas dos zumbis. Afinal, eles não são os protagonistas da história. Os holofotes estão nos humanos e nas relações mais nuas e cruas, sem rodeios, que surgem em um apocalipse zumbi. Retorno para Woodbury é a chave de ouro para uma série cativante. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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