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Se você gosta de super-heróis, precisa ler 'Guerra Civil'

Se você gosta de super-heróis, precisa ler 'Guerra Civil'

Foto: Ana Bubola 

Na semana passada, tivemos a triste notícia do falecimento de um dos maiores ícones das histórias em quadrinhos e do universo dos super-heróis: Stan Lee, criador de personagens incríveis como o Homem-Aranha, Incrível Hulk, Thor e Homem de Ferro, entre outros, nos deixou aos 95 anos de idade. Assim, pensei que seria legal a coluna dessa semana ter uma pequena homenagem a um dos grandes nomes por trás da Marvel Studios. Por isso, o tema hoje é o livro Guerra Civil – Stuart Moore, Novo Século, 2014- história que só existe graças à mente diferenciada de Stan Lee. 

Acredito que Guerra civil é uma das tramas mais impressionantes desse mundo fascinante que é o dos super-heróis. Quem ama o assunto sabe que na maioria das vezes lemos histórias ou assistimos filmes que no máximo colocam um grande herói contra um grande vilão: Batman contra o Coringa talvez seja um dos maiores exemplos disso. E Guerra Civil é algo único, pois as 391 páginas reúnem personagens do tamanho do Homem-Aranha, Homem de Ferro, Capitão América, Hulk e o Quarteto Fantástico. E o mais incrível de tudo isso: eles não estão todos do mesmo lado. 

O nome da obra em si já implica que há um conflito acontecendo. Tudo porque, depois de uma batalha em Connecticut, onde muitos inocentes morreram, o governo norte-americano passa a exigir que todos os heróis, e até mesmo os vilões, revelem suas identidades e registrem seus poderes. E é aí que começam os problemas, já que o Homem de Ferro, apesar de não concordar 100% com a medida, se voluntaria para supervisionar o processo de registro, enquanto o Capitão América, indignado por ter sua liberdade ferida, monta seu próprio time de super-heróis para agir fora da lei. 

Sei que é estranho ver heróis lutando entre si, mas admito que gostei da ideia. Em um universo um tanto quanto saturado e até mesmo repetitivo (por termos sempre histórias protagonizadas entre heróis e vilões), acho importante pensar diferente e criar algo realmente fora do usual. E foi isso que a Marvel fez ao pensar em Guerra Civil. E diferente do filme, lançado em 2016, um personagem em específico é fundamental no enredo do livro: o Homem-Aranha, ou Peter Parker, para os mais íntimos. 

Peter é recrutado por Tony Stark (Homem de Ferro), e ganha uma roupa toda tecnológica, inclusive à prova de bala. Inicialmente do lado dos que concordam com o governo dos Estados Unidos, o Homem-Aranha vai aos poucos se questionando se está no caminho certo e se suas escolhas fazem sentido. Ao contrário do longa-metragem, quando aparece apenas na metade do filme, Peter é presença constante no livro, surgindo logo nas primeiras páginas. Para um menino que desde pequeno é fã do cabeça de teia (meu super-herói favorito junto com o Batman), essa foi uma das melhores surpresas do livro de Guerra Civil. 

E, claro, um dos maiores acertos da trama, da Marvel, e também de Stan Lee, que foi quem começou essa linha de raciocínio, é o lado humano que cerca todos esses fantásticos personagens. É o inverso, por exemplo, do Super-Homem, que é praticamente invencível, já que apenas a kryptonita é capaz de derrotá-lo. É só vermos um pouco de quem é o Homem-Aranha, um jovem, que ao mesmo tempo em que se arrisca para salvar as pessoas, tem inúmeros problemas para pagar as contas, problemas amorosos, e, ainda, precisa ir ao colégio e posteriormente à universidade, como muitos de nós. E tudo isso mesmo sendo um super-herói com força sobre-humana e capaz de saltar de prédio em prédio com suas poderosas teias. 

Guerra Civil é uma leitura muito válida, pois é muito interessante ver cada personagem enfrentando dilemas pessoais e apresentando posicionamentos divergentes. Claro, ação e emoção não faltam, pois a cada capítulo vão surgindo novas caras na história e outros ícones do Universo Marvel são citados, como o Wolverine e o Justiceiro. E o mais legal é isso, de ficar pensando qual lado cada um deles vai apoiar. Uma história na qual todos estão certos e errados ao mesmo tempo. Uma obra realmente épica. Obrigado, Stan Lee, por criar tantos personagens incríveis e por nos permitir ter um pouquinho de cada um desses heróis dentro de nós. 
 

Colunistas - RIC Mais PR
Guilherme Osinski
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Formado em jornalismo pela PUCPR, Guilherme Osinski é natural de Curitiba e apaixonado por livros, principalmente os de suspense e ficção policial.

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