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Se você tivesse ficado...

Se você tivesse ficado...

Talvez se você tivesse ficado não houvesse poesia.

Por anos e anos revivo o momento da despedida.

Nossas mãos se tocando pela última vez depois do amor.

Por anos a fio, perdi noites e noites de sono pensando no amor.

Em cada poro da minha pele, a lembrança exsuda, transpira.

Eu revivo o instante daquela louca despedida. Deixei o amor ir...

 

Mas se você tivesse ficado como seria a vida?

Será que haveria poesia no ato simples e puro de ficar?

Nada sei do tempo, meu amor, mas sei da vida.

Nesta alma louca, meio estranha, pulsa uma história, a nossa.

Vejo pela janela entreaberta tua imagem se distanciando.

Foi a despedida mais dolorida da minha vida. Foi lancinante.

Mas e se você tivesse ficado? Como seria a história?

Será que haveria poesia numa vida pragmática, meu amor?

 

Nós dois vivemos um luto sem morte, eu bem sei.

Sentimos a perda sem nada termos perdido, de fato.

O tempo desfez muitas coisas, mas não desmanchou a história.

Em minha pele tudo respira e transpira o momento único.

Imbuído de vida e de um amor que vem da alma, eu te revivo.

Sinto nas pontas dos meus dedos o toque da despedida.

Mas o que seria de nós se você tivesse ficado? O que seria da poesia?

Anos se passaram. A vida continua, é verdade. Mas e nós, onde estamos?

 

Vivo num tempo paralelo. Tento, em vão, me inserir no hoje.

Percebo realidades inventadas de forma inconsciente, mas não suporto.

Tento me esquivar da despedida, crio histórias estranhas.

Mas nada me tira de ti, do amor que ficou naquele instante.

Guardo em meu cérebro que fica cada vez mais apurado o teu perfume.

Teu gosto está em mim e eu rememoro todos os dias. Tudo é único em ti.

As coisas ocorrem alheias à minha vontade, pois o amor supera e explica tudo.

Ultrapasso muitos limites e entro em outra esfera, num mundo estranho.

Refaço os caminhos, mas paro naquele dia da despedida. Eu vivo lá!

Não há como fugir de ti, amor. Não há como desfazer a história.

 

Nada acabou. Tudo ainda é latente, eu bem sei.

Basta uma centelha para que a chama arda e se perpetue.

Nem mil analgésicos amortecem esta dor que é tua falta.

Amor, amor, amor, por onde anda neste momento?

A vida cigana não nos exime de parar e sentir a paixão que é brasa.

Respostas chegam com o vento, assim como os aromas.

Tua respiração continua viva, pura em meus ouvidos, em minha alma.

O pulsar do teu coração dita o ritmo da minha história.

É muito mais do que qualquer palavra esta vivência transcendental.

Tudo vai além do físico, do tocável. Somos celestiais. É meu anjo de luz.

 

Se você tivesse ficado, talvez fôssemos diferentes. Seríamos diferentes.

A história seria outra ou nem teria história. Desconstruiríamos o tempo?

Digo não ao conformismo. Somos poesia que se sente, que pulsa.

Não deixe acabar o que nasceu para não ter fim.

Jamais esqueça de que as sensações são as mesmas e só crescem.

Deixe-se navegar por este mar inventado, deixe-se ir para além das ondas.

Eu te ofereço minha história que casa perfeitamente com a vida.

Num solo de cordas de aço, eu te sinto, percebo teu toque explodo num gozo.

Tudo chega à forma de lembranças, mas percorre minha alma e vira luz.

Nada disso seria possível se você tivesse ficado. Sem história!

Talvez hoje, fôssemos como todo mundo, em uma vida esquisita.

Amor, amor, amor, não deixe a centelha apagar, não deixe...

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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