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Só mais um giro da terra

Só mais um giro da terra

 

Girou o mundo como num carrossel gigante, com estalidos.

Paramos no ponto em que tinha que parar e cá estamos, todos.

Nova semana se abrindo com ventos do sul e sol de fim de verão.

É um tempo novo de uma vida que se prolonga, quiçá, que seja eterna...

 

A moça que nem me dizia bom-dia, hoje conversou comigo.

Simpática, ela sorriu um sorriso de luz e falou de si, do seu trabalho.

Há naqueles olhos castanhos amendoados algo de enigmático.

Talvez ela esconda alguma dor, algo indefinível até mesmo para ela.

 

É segunda-feira, de um novo tempo. Há esperança pairando, planando.

A cidade se movimenta como tem que ser em seu ritmo pulsante.

Corre à boca miúda que uma tempestade vem aí e há quem se assuste.

Não há o que temer, quando se está em paz e em meio à calmaria da vida.

 

O elevador range no sobe e desce interminável de estalidos metálicos.

Carros roncam e o trânsito se anima como num início de baile.

Filas, contas a pagar, boletos, emprego, desemprego, almoço rápido.

É o giro do mundo num novo ciclo que se renova com as voltas da terra.

 

Digo que estou feliz e sorrio não sem motivos, pois sempre há.

Viver é muito mais do que se estar aqui, do que ganhar dinheiro.

A moça que não me dizia bom-dia, hoje conversou comigo longamente.

Tem olhos bonitos, mas há uma sombra sobre si em busca de luz.

 

Mas quem não tem mistérios nesta curta existência?

Sem um pouco de enigma ou fantasia, tudo vira nada.

Hoje é meu tempo e me sinto pronto e disposto quero ir em frente.

Range o elevador. Há vida na cidade. Estalido. Estou no meu andar.

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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