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Tempo de acender a luz

Tempo de acender a luz

As festas se foram e tudo parece mais calmo agora.

Uma sensação de nostalgia invade as mentes ainda absortas.

Os corações saltitam num prenúncio de solidão e delicadeza.

É um tempo de recomeço, de calmaria, de espera e de dúvidas.

 

O verão envereda para seu fim e apressam-se as colheitas.

Vem o outono, novo momento de espera e de preces.

Na hibernação da terra, os projetos para nova fase.

Os ares parecem mais calmos e os ventos sopram amenos...

 

Pela vidraça fumê, eu vejo o céu meio turvo, mais baixo.

Há uma dança das nuvens numa coreografia própria, infundada.

Resquícios do carnaval atulham as ruas da cidade agora pacata.

Na pele, o arrepio esquisito, numa mistura de medo e emoção.

 

Morre a tarde de um novo tempo que nasce e se alastra.

O momento é sempre de espera e renovação, bastando querer.

Ando ao entardecer e rememoro lembranças de outra vida.

Tudo tão longe, mas ao mesmo tempo, vivo em mim.

 

A noite pode ser de chuva, eu bem sei. Não levarei capa.

Quero que meu corpo crie anticorpos contra o frio e o medo.

Não há o que temer quando nada se tem nesta vida breve.

A pobreza também pode ser uma dádiva, dependendo da perspectiva.

 

Para além dos limites da cidade, cavalos pastam alheios a tudo.

Soltos nos campos, os cavalos não temem o desconhecido.

Avanço um pouco mais e resisto às dores do meu corpo.

As festas se foram eu caminho e logo serei apenas passado.

 

Caminhões carregados de madeira voltam a circular.

Paro na beira da estrada e observo os lenhadores embrutecidos.

São homens das florestas e não demonstram sentimentos.

Ao longe um cão late e na casinha de beira de estrada uma luz se acende.

 

 

Jossan Karsten

Colunistas - RIC Mais PR
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Jornalista, publicitário e escritor.

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