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Uma facada na realidade

Uma facada na realidade

O atentado sofrido pelo candidato Jair Bolsonaro, no início do mês, revelou não apenas o grau de intolerância que a sociedade vive hoje,como também, a nossa percepção da realidade. A nova percepção. Digo isso, porque na minha época (não sou tão velha, mas nem tão nova) a realidade parecia mais real e menos discutível. Era concreta.  Hoje é líquida, aliás, quem poderia traduzir muito bem o que está acontecendo conosco é filósofo Zygmunt Bauman, que já nos deixou. Ele e sua teoria da sociedade líquida, rápida e tão modificável poderia talvez criar um termo para essa nova realidade em que vivemos. A realidade de cada um. Incrível ver que muitas pessoas simplesmente não acreditaram no atentado. Tirando o viés político que fez partidários torcerem para ser uma armação, a grande maioria questionadora do ato criminoso construiu uma argumentação surreal. Baseada não em experiências reais, profissionais, técnicas, respaldadas e sérias. Não. O respaldo foi o velho “achódromo”. “Eu acho que não foi facada porque ele não sangrou”. Vídeos de whatsapp correram por esse Brasil de meu Deus com imagens distorcidas, teorias conspiratórias e muita...mentira. Sim, porque o que não é verdade, é mentira (ou estou atrasada e isso já mudou?).

Em tempos de discussão do pós-verdade e de suas consequências, o atentado contra Bolsonaro mostrou uma sociedade doente. Que não sabe lidar com as redes sociais, que precisa se expressar( e tem todo o direito), mas que não “perde tempo” lendo, se informando, e principalmente questionando o que lê, o que ouve e o que vê. Os frutos dessa nova forma de viver e ver a realidade já estão desabrochando. Desinformação, preconceito e mais lenha numa fogueira acesa há  mais 500 anos nesse país.

Parece que aquele ditado “ ver para crer” virou” acreditar para crer”. O questionamento e a dúvida deram lugar às certezas. E nunca as certezas foram tão perigosas como hoje.

 

Colunistas - RIC Mais PR
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